Como o mito do Herói pode ajudar Você a ser um Empreendedor

Mito do herói

Eu sou pai. Portanto, eu sou herói. Esta é uma conclusão simplista, mas denota por onde nós vivenciamos a mitologia grega nos nossos tempos modernos de século XXI. Vamos trabalhar este artigo com a ajuda de Joseph Campbell (1904-1987), estudioso norte-americano de mitologia e religião comparada.

Em seu famoso livro O PODER DO MITO, Campbell assevera:

Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas do momento. Antigamente, o campus de uma universidade era uma espécie de área hermeticamente fechada, onde as notícias do dia não se chocavam com a atenção que você dedicava à vida interior, nem com a magnífica herança humana que recebemos de nossa grande tradição – Platão, Confúcio, o Buda, Goethe e outros, que falam dos valores eternos, que têm a ver com o centro de nossas vidas. Quando um dia você ficar velho e, tendo as necessidades imediatas todas atendidas, então se voltar para a vida interior, aí bem, se você não souber onde está ou o que é esse centro, você vai sofrer. CAMPBELL, 1990:14)

Esta foi uma feliz observação do estudioso incansável da mitologia. Hoje, em pleno século XXI, esta constatação é ainda mais patente, do que na época que Campbell escreveu seu famoso livro. Os Campi universitários estão cheios de jovens mais preocupados com o dia a dia, o imediatismo, não se vê aprofundamento de estudos em áreas específicas, salvo poucas exceções.

Nunca deixamos de gostar da simbologia. Nós seres humanos temos muita atração por simbologia, sendo nossa vida repleta desses símbolos. Na nossa infância sonhamos com os heróis da época em voga. Eu sonhava com Príncipes, Duques, Lordes e outras figuras importantes das realezas, principalmente a Britânica, porque tive a oportunidade de ler muitos livros sobre esses reinados e eu, particularmente me interessava pela Idade Média na França, Inglaterra e Alemanha. Eu me encantava com os Castelos e Palácios daquela região além-mar.

Uma das primeiras coisas que descobrimos quando nos propomos a empreender é a respeito dos nossos sonhos. Tem uma vivência que nos leva a refletir sobre nossa vida antes dos nossos quinze anos, depois sobre o tempo atual, o presente, e em seguida como nos veremos daqui a dez ou quinze anos.

O Mito do herói tem muita semelhança com algumas atitudes que pratiquei, inconscientemente, trabalhando com 12 anos de idade, comprando utensílios para a casa de meus pais, por falta de condições financeiras por parte deles, casando aos 18 anos e já sendo pai aos 19 anos. Passando em concursos públicos na mais tenra idade, enfim, vivenciei essas experiências de “herói” sem a menor intenção nem propósito específico.

O mito do herói nos faz pensar e raciocinar através de metáforas, para resolvermos questões cotidianas, como por exemplo: “matar a fome de alguém”, “dizer a alguém, se você fizer isso vai queimar no fogo do inferno”, “meu irmão mais velho, chamava os filhos dele de – ladrão de consciência”, e assim por diante.

Bill Moyers, na introdução do livro de Campbell (1990:09), relembra:

Para Campbell, ironicamente, o fim da jornada do herói não é o engrandecimento do herói. “Não se trata”, ele o afirmou em uma das suas conferências, “de identificar quem quer que seja com qualquer das figuras ou poderes experimentados. O iogue hindu, lutando por se libertar, identifica-se com a Luz e jamais retorna. Mas ninguém que abraçasse o propósito de servir aos outros se permitiria tal evasão. O objetivo último da busca não será nem evasão nem êxtase, para si mesmo, mas a conquista da sabedoria e do poder para servir aos outros.” Uma das muitas distinções entre a celebridade e o herói, ele dizia, é que um vive apenas para si, enquanto o outro age para redimir a sociedade.

A grande vantagem do herói é que sua missão é salvar um povo, pessoas, uma raça (a raça humana), etc. O herói nunca pensa em si mesmo, mas em defender pessoas menos capazes de viver ou sobreviver. Os pobres e os indefesos são sempre protegidos por heróis e não por celebridades. Hoje em dia temos muitas celebridades da moda, do cinema, do futebol, das olimpíadas, enfim, são pessoas famosas, com muito dinheiro, mas que nada tem de herói. Eu lembro que na minha infância tinha um herói internacional chamado Robin Hood, que era um bom ladrão, lutando pelas desigualdades na Inglaterra da Idade Média. Roubava dos ricos para dar aos pobres e desvalidos.

Eu como pai que sou de quatro filhos, sendo três filhas e um filho, sempre dei o exemplo procurando fazer e mostrar através de atitudes e nunca somente aconselhar verbalmente. Durante toda minha vida sempre conquistei as coisas pelo estudo. Eu motivava meus filhos a estudar, estudando. Lembro de certa vez, quando chegamos em Fortaleza, em 1995, no ano seguinte fomos fazer vestibular eu e minha filha. Eu estava há quinze anos sem estudar tradicionalmente, e ela estudando num dos melhores colégios da capital cearense. Na universidade estadual eu passei no vestibular e ela não passou; na universidade federal, eu passei também no vestibular e ela não passou. Não era uma disputa, mas uma maneira de estimular o aprendizado e de provar que com determinação, foco, inteligência estratégica, podemos fazer coisas incríveis. Noutros cursos de idiomas públicos, eu também passei em dois que essa minha filha fez o certame, mas ela não logrou êxito naquela situação e época. Depois ela passou em vários vestibulares e concursos.

Outra filha passou no vestibular para o período matutino, sem me dizer nada. Quando eu soube, perguntei, porque tu não fizeste para o período noturno, que poderia conseguir um estágio ou um emprego e dava para estudar normalmente. Ela respondeu: é porque fazendo o curso universitário diurno, terei condições de tirar melhores notas nas disciplinas. Falei pra ela, que era jovem, se você conseguir notas superiores às minhas, que na época eu fazia graduação, e ainda tinha 4 filhos, uma esposa e um cachorro e trabalhava fora 8 horas diárias. Conclusão: ela não conseguiu essa proeza de melhores notas e resolveu colocar a maioria das disciplinas para o período noturno.

Outra coisa interessante é o tamanho do herói. Quando se tem um herói de expressivas potencialidades e valentia, geralmente, temos os “vilões” ou problemas de grande envergadura. Outrossim, em se tratando de herói de pouca monta ou potencial será provável que os “vilões”, problemas sejam bem pequenos ou diminutos.

Num diálogo entre Moyers e Campbell (1990:17), podemos observar:

MOYERS: Você mudou a definição de mito, de busca de sentido para experiência de sentido.

CAMPBELL: Experiência de vida. A mente se ocupa do sentido. Qual é o sentido de uma flor? Há uma história zen sobre um sermão do Buda, em que este simplesmente colheu uma flor. Houve apenas um homem que demonstrou, pelo olhar, ter compreendido o que o Buda pretendera mostrar. Pois bem, o próprio Buda é chamado “aquele que assim chegou”. Não faz sentido. Qual é o sentido do universo? Qual é o sentido de uma pulga? Está exatamente ali. É isso. E o seu próprio sentido é que você está aí. Estamos tão empenhados em realizar determinados feitos, com o propósito de atingir objetivos de um outro valor, que nos esquecemos de que o valor genuíno, o prodígio de estar vivo, é o que de fato conta.

A experiência de vida nos faz mudar nossa noção de valor. De valor financeiro ou material para valor significativo, agregar valor à sua vida, deixa de ser valor material para valor sentimental, espiritual, qualidade de vida, servir aos outros e de fazer sentido, ou seja, a vida passa a ter sentido. Qual o sentido da fidelidade de um cachorro, por exemplo? Nós não adotamos cachorros, eles que nos adota. Isto é fantástico.

Relendo o texto do José Roberto Marques, sobre a Jornada do Herói, ele cita a “descida do inferno” do herói, que se depara com o CASAMENTO e a MORTE. Eu quando era jovem pensava comigo mesmo. Existem duas coisas que são inexoráveis na vida: Casamento e Morte. Se é assim, casei com 18 anos de idade. A morte quero que venha só depois dos meus 100 anos de idade e que eu viva com saúde e lucidez.

Quando pensar em empreender, pense nos seus sonhos, em dar o exemplo, em ser o exemplo, em se planejar, em pagar todos os impostos e pagar bem aos seus funcionários, porque empresa que sonega, que não assina a carteira de trabalho de seus funcionários, que compra e não paga, pode até viver algum período positivo, mas a PROPERIDADE que é o que todos nós devíamos buscar, nunca vai ser plena.

Pense nisso!!!

Prof. João F. de Lavor

João Lavor

Contador Prof. Dr. João F. de Lavor – Life Coach, Doutor em Educação, Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Contador e Pedagogo.

Website: http://www.joaolavor.com.br

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